Ferramentas

•seg, 10/10/2011 • Deixe um comentário

English – Русский

Inciando ainda! Agora vou falar sobre as ferramentas que uso e aparecerão aqui nos exemplos.

O compositor nos dias de hoje deve saber lidar com a informática. Não é um pré-requisito para ser um bom profissional, mas expande muito a lista de recursos para serem utilizados. Além de que com o advento dos chamados “instrumentos virtuais” já não somos mais reféns de outros para gravar nossa própria música. Claro que nada supera uma execução ao vivo (pelo menos pra mim), mas é uma alternativa viável para montar um portfólio sonoro quando não se é famoso e/ou não se tem a grana pra deixar uma orquestra e um estúdio de gravação à sua disposição. Isso sem falar de correntes artísticas em que o computador é peça chave na produção hoje em dia, como a música eletroacústica e a concreta (já que os aparelhos k7 sumiram).

Então, pra começar, temos que arrumar alguns softwares. Mas quais? Não sou especialista em produção musical nem em engenharia de som – venho de um background mais acústico, não mexia com gravação – mas dou meus pulos nesta área. Temos que dividir os softwares em funções e aí sim buscar os melhores para a gente, porque não existe o melhor no absoluto, e sim aquele com o qual lidamos melhor. Mas, em geral, eles costumam ser muito parecidos em recursos, interfaces e ambientes. Acaba a decisão sendo por gosto pessoal e por recursos computacionais disponíveis.

As principais funções:

  • DAW – Digital Audio Workstation: sequenciadores com a finalidade de gravar, editar ou tocar áudio digital. Basicamente servem para isso, mas com a capacidade de processamento atual e com a gama gigante de plugins, os DAWs servem realmente como estações para todos os tipos de trabalho, inclusive para performances ao vivo e gravações de alguns instrumentos virtuais, até para a geração de partituras. Usei por alguns anos o SONAR, mas meu pc onde estava instalado pifou, e perdi os cds de instalação… ainda estou me decidindo quanto a qual usarei daqui pra frente. Exemplos: Cakewalk SONAR®, Apple Logic Pro®, Ableton Live®, Cockos Reaper®, Steinberg Cubase®, Avid Pro-Tools®, Image-Line FL Studio® (o antigo Fruity Loops, que evoluiu de um criador de grooves/loops para um DAW bem completo) etc;
  • Edição de Partituras: assim como o MS Word serve para texto comum, existem programas para edição de partituras. Se tornam necessários quando você almeja levar sua música pra outros intérpretes e também para o registro delas – uma cópia da partitura é necessária neste processo. Eu uso o Finale 2006 (pago) e o MuseScore (freeware), mas existem vários outros com funcionamento parecido. O Sibelius também é muito utilizado. Outros exemplos: Encore, Guitar Pro, SmartScore, Power Tab Editor, Capella etc. Recomendo muito a utilização do MuseScore (baixável em http:\\musescore.com), praticamente aposentou meu Finale; tem alguns poucos bugs mas funciona muito bem no geral. A maioria dos exemplos aqui serão feitos por ele;
  • Edição de Áudio: são programas para edições rápidas em áudio digital. Geralmente os DAWs fazem todas as suas funções, mas para pequenos ajustes (como conversões de formato) prefiro utilizá-los, até porque não tenho computadores muito poderosos. O meu preferido é o Audacity (http://audacity.sourceforge.net), outro freeware;
  • Samples, Processadores de Efeitos e Sintetizadores: aqui vem a parte legal da coisa – são os “instrumentos” propriamente ditos. Samples são amostras de timbres ou pequenos loops que são utilizados como instrumentos, enquanto sintetizadores são programas que criam timbres a partir de alguma técnica de modelagem (ver http://pt.wikipedia.org/wiki/Sintetizador#T.C3.A9cnicas_de_s.C3.ADntese). Processadores de efeitos são programas que modificam a entrada com algum efeito (reverb por exemplo). Existem padrões que unem estas características, como os Soundfonts, que usam síntese baseada em samples para a geração de sons. Há inúmeros programas que trabalham com samples e sintetizadores, inclusive a maioria dos DAWs já vem com sintetizadores e processadores de efeitos nativos. A Steinberg criou uma tecnologia que funciona de ligação entre sintetizadores/efeitos diversos e um DAW, como se fossem plugins. Ela tem o nome de Virtual Studio Technology, abreviada como VST.

Estes são os principais programas que serão usados. Também existem os programas para treino de percepção (Ear Tuner, EAROPE, Auralia…), mas falarei de alguns deles no próximo post. Alguma dúvida ou sugestão sobre softwares? Deixe nos comentários ou mande email para arssonis@gmail.com.

Até a próxima, pessoal!

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Getting started…

•sex, 07/10/2011 • Deixe um comentário

Português – Русский

Conceived this blog as a tool for helping me in the making of a portfolio and the divulgation of my own work, besides showing my journey through the paths of art. Here will be debated many musical topics, primarily those ones linked to Composing. I’ll talk about books, sheets, techniques and exercises, videos…. a wide gamma of materials.

I decided to design this blog as a trilingual “center”, because just in addition to communicate with people around the world, i’ll be training my proficiency in important languages for my profession – so the initial choice of Portuguese (my mother language), English and Russian – these are languages I have a good degree of proficiency and have great importance to music history. I plan to add another relevant languages later (like French and German), and some others that’d help in massive divulgation of the blog (Japanese, for example), but I still need a better fluency at those ones.

“After all, what’s a composer is for real?” it’s a question I hear frequently. The answer is obvious, he composes. But then always come questions about how this works. Surely, every musician ever heard jokes about his profession or passed through funny situations, like the typical question “But what do you do to earn money? I mean, as a profession…”. But the composer suffer this bully stronger, partly because the work is not so apparent to the public (rarely the composer is that virtuoso showman who is exhibiting himself on stage) and because there’s some confusion about the musical creating process. The vast majority (overwhelming even! Guess some 99%) believes that composing is only have an “inspiration”, sit down and write the sheet, so voilá!, a 5 hour opera rises from nothing in the paper. All beautiful, all perfect… but in real world isn’t this way.

Taking words of my friend also composer, Michael Machado:

First of all: Compose isn’t just only feeling, there are techniques, ie, it isn’t just close the eyes and wait the coming of an inspiration so boom! there go a composition!

Second: to compose I think it’s fundamental to know these tools:

  • Harmony – if you don’t know harmony WELL, there’s no way to compose something more refined, ‘cause everything depends on it!
  • Melody – there are some techniques that one can make million of variations on a single theme; if you got a phrase and aren’t being able to create more, here lies down your problem!
  • Phrasing – fundamental for the composer, because the phraseology study helps a lot in the construction of phrases! You’re gonna understand what is a period et cetera;
  • Morphology – here you study the musical forms. Very important, because what I most see today is guys playing some theme, improvising then backing to theme. Cool, but it’s only this? The impromptu is a composition, but it you create in real-time! If you can write down what you’ve played better!
  • Analysis – basic! To understand better composing, and any theory, you ought analyse music, hear with the score preferably! Analyze everything said up there!

Putting more fuel, I say that Perception is an important topic that composers must study. Perception of rhythms, intervals, harmonic progressions/cadences, quality of chords, orchestration effects et cetera. All of this much important to give possibilities for composer to express his own musical ideas, and facilitate the whole process – like composing without needing an instrument near. Each topic will be debated here, including quotes with fonts and materials for searching.

Well, that’s the blog proposal! I hope everyone enjoy, as much as I am!

Começando…

•sex, 07/10/2011 • Deixe um comentário

EnglishРусский

Concebi este blog como uma ferramenta para me ajudar na montagem de um portfólio e na divulgação do meu próprio trabalho, além de mostrar minha jornada pelos rumos da arte. Aqui vão ser debatidos vários assuntos musicais, principalmente os ligados à Composição. Vou abordar livros, partituras, técnicas e exercícios, vídeos… uma gama enorme de materiais.

Decidi fazer este blog em um “centro” trilíngue, porque assim além de me comunicar com gente do mundo inteiro, vou treinando minha proficiência em línguas que são importantes na minha profissão – por isso a escolha inicial de português (minha língua-mãe), inglês e russo – são línguas que já possuo um bom grau de proficiência e têm muita relevância no contexto da história da música. Planejo adicionar outros idiomas relevantes também mais tarde (como o francês e o alemão), e outros que ajudariam na divulgação maciça do blog (japonês, por exemplo), mas preciso ainda de uma fluência melhor neles.

“Afinal, o que é que um compositor faz de verdade?” é uma pergunta que escuto com muita frequência. A resposta é óbvia, ele compõe. Mas em seguida sempre vêm perguntas sobre como funciona isto. Com certeza, todo músico já ouviu piadas sobre sua profissão ou passou por situações engraçadas, como a típica pergunta “Mas você faz o que pra se sustentar? Digo, como profissão mesmo…”. Mas o compositor sofre esse bullying ainda mais forte, em parte porque o trabalho não é tão aparente pro público (raramente o compositor é aquele showman virtuoso que fica se exibindo no palco) e porque há uma certa confusão sobre o processo de criação musical. A maioria esmagadora (esmagadora mesmo! Chuto uns 99%) das pessoas acredita que compor é só ter uma “inspiração”, sentar e escrever a partitura que voilá!, uma ópera de 5 horas surge do nada no papel. Tudo muito lindo, tudo muito perfeito… mas no mundo real não é assim.

Retirando palavras de meu amigo também compositor, Michael Machado:

Primeiro: Compor não é só sentimento, existem técnicas, ou seja, não é só fechar o olho e esperar a inspiração bater e bum! sai uma composição!

Segundo: pra compor eu acho fundamental saber as seguintes ferramentas:

  • Harmonia – se não souber BEM harmonia, não adianta querer compor algo mais rebuscado, pois quase tudo depende dela!
  • Melodia – existem algumas técnicas onde pode-se fazer milhões de variações sobre um único tema; se você tem uma frase e não está conseguindo criar mais é ai que seu problema acaba!
  • Fraseologia – isso é fundamental pro compositor, pois o estudo de fraseologia vai ajudar e muito na construção de uma frase! Vai entender o que é um período etc;
  • Morfologia – é aqui onde você estuda as formas das musicas, é muito importante, pois o que eu vejo muito hoje é a galera tocando um tema, improviso e volta pro tema. É legal, mas só isso? O improviso é uma composição, só que você cria na hora! Se puder escrever o que você tocou é melhor ainda!
  • Análise – isso é o básico! Pra você entender melhor sobre composição, e qualquer tipo de teoria, você tem que analisar músicas, escutar com a partitura de preferência! Analisar tudo que eu falei ai em cima!

Colocando mais combustível aí, digo também que Percepção é um assunto importante que o compositor deve estudar. Percepção de ritmos, intervalos, progressões harmônicas/cadências, qualidades do acorde, efeitos de orquestração etc. Tudo muito importante para dar possibilidades ao compositor de expressar suas próprias idéias musicais, além de facilitar todo o processo – conseguir compor sem precisar de um instrumento por perto, por exemplo. Cada um desses tópicos vai ser abordado aqui, incluindo citações com fontes  e materiais para pesquisa.

Bom, esta é a proposta do blog! Espero que todos se divirtam com ele, como eu estou!